Quack Quack Quack

Vivemos em um sociedade tão ignorante em como se adquire o conhecimento científico que até os supostos cientista comentem erros grotesco. Não estou falando dos erros jornalisticos usados intencionalmente ou não para vender mais jornais. Mas sim de um suposto “legitimo estudo” sobre medicina com intenção promover saúde.

” Não importa o quanto bonita é sua teoria, não me importa o quanto inteligente você é. Se não for de encontro com o experimento, está errado ” (Feyman)

Como disse o já falecido Feyman, o importante é analisar o universo como ele realmente se mostra. Para isso precisamos realizar testes e tentar falsificar nossas proprias hipóteses para então chegar cada vez perto de um virtual verdade. Saber realizar um estudo bem feito também é outro problema

Veja o artigo publicado na revista do Biomedico, primeira região (numero 106 – agosto.setembro de 2012)  http://www.crbm1.gov.br/bio106/index.html

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Está escrito muito claramente que as referencia 01 confirma a existência de evidências clínicas suficientes para a aplicação da acupuntura como medicina de fato. Precisei apenas ler até essa parte para saber que todo o resto estava comprometido, afinal tudo está baseado nesta suposição. Agora vamos ver o que a referencia diz de verdade:

BS1 – Não existe nada no artigo falando sobre mecanismo antiflamatórios. No mínimo falta uma referência, no máximo houve má fé

2 – Estudos de pesquisa básica pode nós dizer muito sobre o mecanismo de funcionamento biológico. Mas para saber o efeito biológico precisamos fazer os testes clínicos. É justamente neste ponto mais importante que o autor deste estudo e todos praticantes da “medicina alternativa” falham. É muito fácil achar correlações que condizem com minha expectativa em um tubo de ensaio. Agora o estudo em animais e humanos a coisa é mais complicada. Como dito no artigo em outras palavras: blá, blá, blá…. o que foi “provado” até hoje foi feito a partir de estudos anedoticos (porcamente randomizados, caolhos (não cegos), pequenas amostras (sem valor estatístico), sem controle (comparar com o que ? ), sem endpoint (posso interpretar os resultados como quiser). Resumindo, tudo que suporta a acupuntura até hoje pode ser jogado no lixo, pois nenhum dado é confiável. Por outro lado os estudos muito bem feito tem demostrado que acupuntura se trata apenas de placebo

3 – Note que o português pode ser utilizado para suavizar os dados realmente importantes que contrariam o estudo. O exemplo do artigo é evidente, o autor colocou a referencia e citou uma coisa completamente diferente que estava escrito no paper original.  O paper mesmo utiliza palavras como “sugeriu” para amenizar a falta de evidencias robustas que suportem suas hipóteses.

Resumindo

Fica aqui minha indignação com esses estudos mal feitos, mal escritos e muito bem promovidos na mídia. Aqui em baixo vou colocar uma figura explicando como se faz medicina baseada em evidências (em outro artigo eu escrevo sobre o assunto)

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Atualizações:

O Autor publicou uma errata na revista do biomédico do mês seguinte. Apesar disso não detalhou corretamente as criticas feitas aqui para com a qualidade do artigo. Nas palavras do autor: 

” Independentemente disso, graças à sua arguta leitura, agradeço a detecção de uma falha no artigo publicado: minha aluna de doutorado, por descuido, cometeu um deslize quando da edição final das referências do artigo (e ela já foi devidamente admoestada por isso). As referências que deveriam estar no local adequado desapareceram e, por isso, solicitarei da revista que uma errata seja feita “

 

Mágica da cartomante

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No meu cotidiano é comum perceber muitas incongruências e viéses de interpretação em um Brasil não acostumado ao ponto de vista científico. É no mínimo estranho analisar o mundo de forma crítica, enquanto a maioria aceita tudo ou quase tudo que oferecem. Talvez seja porque a pessoa treinada em ciência tem conhecimento da incrível facilidade de  sermos enganamos por nós mesmos ou por outros, intencionalmente ou não.

    Um bom exemplo disso é a chamada “cold reading”, método pela qual uma pessoa manipula outras, muito frequentemente clientes, de maneira que pareca que tenha poderes sobrenaturais. Mentalistas, médiuns, advinhas e cartomantes usam essa manipulação para “adivihar” o futuro. Enquanto os mágicos exploram nossa limitações de campo de visão e interpretação da imagem, os praticantes do “cold reading” tomam proveito da maneira que interpretamos o mundo. Principalmente atravês da apelação para o emocional e para nossa falhas cognitivas

A técnica

    Ao começar a conversa a cartomante irá dizer que precisa da “ajuda” do cliente para poder entrar em contato com alguma divindade ou qualquer coisa semelhante. O futuro estará nebuloso, logo ela fará várias perguntas para conseguir ver no meio da bruma. Está fase inicial será uma sondagem para avaliar as caracteristicas gerais da pessoa. A aparência do cliente também é muito importante, uma pessoa jovem com roupas esportistas provavelmente não tem problemas de saúde por exemplo.

Cartomantes usam muito pistas para saber se determinadas perguntas e respostas foram efetivas. Essas consistem principalmente em analisar a expressão facial a todo momento. Combinando essas técnicas a pessoa terá um grande quantidade de informação para seu “algoritimo” de adivinhações. Para o truque parecer mais real cartomante usa vários maneiras para valorizar os acertos e minimizar os erros. Vou citar alguns para que fique mais claro :

Shotgun (arma com baixa acurácia)

A cartomante faz uma série de afirmações para conseguir descobrir qual chegou mais perto da realidade. Assim o próximo “tiro” vai ser mais certeiro e assim por diante. Os tiros sempre relacionam eventos de grande possibilidade de acontecer multiplicado por várias pessoas. Perceba que neste estágio não há espaço para diálogo, o ouvinte apenas escuta e responde com expressões corporais  ou sim e não (quase um faustão). Leia os exemplos e calcule a probabilidade delas terem acontecido em qualquer família do mundo. Exemplos:

- Eu vejo que você teve problemas com a figura de pai na sua familia, avô, tio, um primo…  

- Vejo alguém próximo que não seja da familia. Alguém que teve problemas com cancer de pulmão, doença cardiáca, cancer de mama …

Efeito zoodíaco (“Barnum statements“)

Esse é bem conhecido, é só abrir qualquer jornal ou até ver a tv do metro para ver essa manipulação. A astrologia faz previsões ou descreve sua personalidade de maneira a parecer específica, mas que na verdade pode servir para qualquer pessoa. Dessa maneira, o cliente fica convencido da pretença veracidade das alegações. Abaixo coloquei exemplos da astrologia mas que podem ser usados pelos cartomantes e um video do CQC explicando claramente o efeito. Exemplos:

-Sinto que as vezes você se sente inseguro, especialmente com alguém que não conhece

- Você está tendo problemas com amigos ou parentes

Pessoa X: X é um pioneiro, um visionário que respeita o que sente. Em algum campo da vida, o X tem de se projetar, impor na vida o fogo que inspira sua vida, e para sentir que está vivo, é capaz de remar contra todas as correntes. (só um depressivo não será assim…)

Pessoa y: Nas profissões, é o y é um grande administrador, dos políticos e de todos os que constroem projetos de enorme envergadura social. (quem não quer ser assim, ou acreditar ser assim ?  )

Fraude do arco-íris

Essa é a mais fácil de entender porque é uma clara manipulação. O cartomante cita sempre dois traços de personalidade conflitantes em suas previsões, dessa maneira não haverá chance da pessoa não se “encaixar”. Além disso as adivinhações são baseadas em coisas que um pessoa deseja ser verdade ou se torne verdade. Exemplos:

Na maioria do tempo você é positivo e alegre, mas as vezes no passado você se sentiu muito triste

Você é muito gentil com as outras pessoas, mas quando quebra sua confiança você se fica muito nervoso 

Você casará em um lugar lindo e terá alguns filhos

Vejo aqui que você terá um vida longa e saudável 

Consertando os erros

Essa é utilizanda somente quando a cartomente faz um erro muito fora do esperado. Para não perder credibilidade o erro é concertado por um acerto guiado. Em ciência constumamos chamar esse fenomeno de pos-hoc, que consite em justificar algo depois da descoberta ou afirmação (em linhas gerias). Exemplos:

Exemplo 01:

Cartomante: Você teve problemas com figura masculina na sua fase de criança/adolescente

Cliente: Mas fui criada pela minha mãe e minha vô

cartomante: Justamente, a sua vô ou sua mãe podem representar a figura masculina

Exemplo 02:

Cartomante: Vejo que teve problemas perda recente na sua família

Cliente: Não, faz quase 10 anos da última morte

Cartomante: Mas para você essa morte é recente, já que você ainda lembra desta pessoa

Agulhada no raciocínio

Sábado de manhã, meu cachorro já com idade avançada demonstra sinais agudos de dor na coluna vertebral. Na mesma hora fico preocupado, pois sua raça “Dashound” já apresenta predisposições a ter problemas nesta região. Não devido algum pecado divino, como algum insistem em acreditar e tentar loucamente a me convencer disso, mas sim por nossa mania de interferir na natureza. Nessas horas lembro da beleza da teoria de Darwin e da ignorância (falta de conhecimento) de muitos neste assunto

Ocorreu tudo bem no atendimento do meu cachorro, o veterinário era jovem, atencioso e mostro-se sábio no assunto. Checagem padrão de coluna e leitura do histórico do meu cachorro na tela de um computador levaram um rápido diagnóstico de dor aguda na região toracolombar e fragilidade na bacia. Fiquei feliz em saber que apesar de tudo estava tudo bem e meu cachorro não sentiria mais dor pois tinha acabado de receber uma dose de Tramal (analgésico potente) junto com um dose de antiinflamatório.

Ao final da consulta o veterinário com ar de médico de UTI  avisa que o processo é degenerativo, ou seja, não existe tratamento apenas prevenção. Até ai tudo bem, já sabia que os nossos amigos tem uma maior quantidade e variedade de doenças se comparados aos humanos. Nossa vontade de modificar a natureza aliada a nossa visão de mundo exterior, tinha selecionado uma linhagem canina até chegar a raça de um cachorro comprido e com ossos tortos. Resumindo, nosso cachorros são bonitinhos e fofos por fora, agora por “dentro” está uma bagunça.

Já conformado, estava entrertido com os pensamentos sobre Darwin e farmacologia dos medicamentos administrados.

Quando o veterinário solta a máxima da terapia alternativa : ” Olha, a única coisa que ajuda sem nenhum efeito adverso é a ACUPUNTURA. Vejo na minha clínica que este tratamento ajuda muito, além disso eles não vão sofrer com os medicamentos (repetindo a máxima).

Neste mesmo momento meu irmão, que já sabia sobre meu ceticismo, olha para mim sabendo que estava louco para debater testes clínicos e filosofia da ciência
Por um milésimo de segundo pensei subir na mesa e destruir os seus argumentos faláciosos e anedóticos. Vejam o vídeo de Tim Minchin chamado “storm” para entender exatamente os meus sentimentos nesse momento (não todos o video). Pensei em falar em todas os viéses de observação, a falta de plausibilidade em outras áreas de conhecimento, a falta de evidência clínica e a montanha de dinheiro que as pessoas estavam jogando em um “tratamento” que ninguém sabe se funciona. Alias apenas recomendar esse tratamento já seria eticamente deplorável. Porquê não recomendar o mel milagroso que o senhor vende na esquina, conhecido por curar quase tudo ? Qual a diferença entre esse mel e os outros tratamentos de “medicina” alternativa ?

Reservei as calorias para algo que realmente importava, explicar toda essa complexidade para o meu irmão. Não sou a melhor pessoa, pelo menos não estou treinado para explicar esse tipo de assunto de um forma que leigos possam entender. Acho que uma coisa ou outra consegui passar sobre o funcionamento da medicina e de ciência. Mesmo assim não tenho certeza se a menssagem foi bem passada, pois no final da conversa ele me perguntou: Você não está sendo cético de mais ?
Fiquei pensando sobre como passar uma mensagem tão complicada, de forma simples e racional. Não queria parecer dogmático, passando as verdades da ciência da mesma forma que os religiosos fazem nas suas pregações. Foi então que tive um L’esprit d’escalier quando estava andando de bicicleta. Seria mais fácil explicar esse assunto se mistura-se filosofia e ciências de uma perspectiva histórica, como se um experimento estivesse sendo refeito. Seria algo do tipo

Imagine-se na Europa pós renascimento, época de conflitos entre credo e ciência. Na época Galileu teve a curiosidade de descobrir além do que parecia óbvio. Afinal, para organismos selecionados pelo ambiente para viver na nossa escala, a terra parecia perfeitamente estático e o sol perfeitamente móvel. Galileu apresentou os FATOS que demonstravam que ele SABIA que as evidências indicavam o oposto. Na verdade a terra que girava e o sol que ficava parado. Por mera política, essas alegações só foram aceitas pela Igreja nesta última década.
Da mesma forma, hoje em dia muita coisa dita pela mídia e muitos profissionais como verdade são apenas ilusões. Mero produto de nossa história, cultura e cerébro incrivel produtor de associação de correlação/causa. Na medicina não é diferente, as medicinas alternativas não podem ser consideradas verdadeiras. Caso contrário estaríamos fadados a ilusão de acreditar que a terra realmente está parada (depende do referencial) só porquê ela parece parada. Está é justamente a diferença entre SABER e ACREDITAR. Muitas coisas que acreditamos podem ser verdades, mas a maioria simplesmente não é.

Um médico/veterinário com uma formação apenas técnica não entenderá que é eticamente errado receitar um tratamento não provado que funciona (relação de benefício). Além disso a gigantesca maioria não entende o funcionamento básico do ceticismo e por esse motivo essa onda de misticismo invade nosso país. Espero que esta reflexão tenha ajudado os amigos que enfrentam o mesmo problema no dia-a-dia, para mim pelo menos serviu de desabafo. Os comentários estarão disponíveis para contribuição de outras maneiras de explicação do assunto para o público em geral

Ciência dos contos de fadas

Uma das principais características da ciência é a de depurar as hipóteses, principalmente de causa e efeito, que nossos cérebros fazem a todo segundo. A história da ciência tem demonstrados que usar essa ferramenta não é nada de intuitivo, principalmente quando contraria nosso preconceitos e ilusões. Na jornada deste aprendizado, aprendemos a compreender nossas falhas para então chegar a uma “verdade” objetiva

          Neste post gostaria de apresentar uma maneira de pensar e um termo cunhado por uma cientista especialista em medicina baseada em evidências. Para não colocar os burros na frente da carroça, precisamos em primeiro lugar ter critérios para avaliar as hipóteses. Por exemplo, não consideremos algo verdadeiro antes fazer muita pesquisa, pelo simples fato de podermos estar sendo enganados ou nós auto-enganando. O nome popular deste critério é hipótese nula (ou null hyphoteses), trata-se de uma das principais maneiras de pensar de um verdadeiro cientista e portanto céptico.

Outro conceito relacionado e com consequencias gigantescas é a “ciência dos contos de fada”, termo cunhado por Harriet Hall. Significa entre outras coisa, inverter a ordem de como fazemos ciência e consequentemente pensamos sobre o mundo de forma geral. A ordem natural é primeiro provar que determinado fenómeno existe, para então descobrir com ele funciona. A inversão desta ordem é frequentemente cometida por pessoas “crentes”, seja em “medicina” alternativa ou religião. A seguinte trecho se refere a metáfora feita pela pesquisadora (referências abaixo)

Você poderia medir quanto dinheiro a fada dos dentes deixa em baixo do travesseiro, se ela deixa mais dinheiro para o primeiro ou último dente, se ela recompensa mais se deixar o dente em uma sacola plástica ou lenço de papel. Você pode ter uma boa qualidade de dados que é reproduzível e estatisticamente confiável. Sim, você pode aprender alguma coisa. Mas você não vai ter aprendido o que acha ter aprendido, porque você não se incomodou em provar se a fada dos dentes existe

 Entre outras palavras, uma “terapia” de homeopatia ou reiki é mágica de contos de fadas quando tentam afirmar que funciona. A estratégia adotada por os “crentes” é buscar o mecanismo de funcionamento não diretamente correlacionados com o evento. Por exemplo, os acunpunturistas adoram dizer que a inserção de uma agulha pode liberar molecúlas (endorfinas) anestésicas. Esquecem de mencionar no entanto que resultados duplo-cego indicaram que não importa se agulhas sejam inseridas, ou onde elas são inseridas. O ponto mais importante é a ausência de provas sobre a mágica “qui” energética, base de todo o tratamento “voodo chinês chique”

Em resumo, fazer ciência e trabalhar com medicina é uma coisa complicada e não intuitiva. Os cientistas sérios aprendem todos os dias com suas falhas (vieses) e com as falhas dos outros. Usar os métodos científicos não basta por si só, precisamos pensar fora da caixa e estudar muita filosofia antes de mais nada. Pontos importantes a serem considerados são a plausiabilidade, de acordo com o conhecimento já estabelecido, e a aproximação com a realidade. Ou seja, perguntar antes de mais nada se é assim mesmo que a natureza funciona, ou se tivemos a cabeça tão aberta que o cérebro caiu ?

http://www.skepdic.com/toothfairyscience.html

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=XHkHB1i0Ss0#!  (o começo da explicação do fairy science é a partir do momento 10:40)

A verdade sobre a “medicina alternativa”, no TAM 2012

Video maravilho sobre Medicina Baseada em Evidencia, no congresso TAM deste ano (2012). Steven Novella, Harriet Hall, David Gorski já conhecidos por escreverem mais famoso blog sobre o assunto, discutem vários tópicos. Aqui estão algumas frases (o vídeo está em inglês)

” A maioria dos médicos não é cientista, odeio dizer isso por ser um, mas aprendi isso porque adquiri um mestrado e um doutorado. Eles não reconhecem o que é boa ciencia, do que não é, sem uma ajuda “

” Alguns médicos não compreendem o que os as pessoas defensoras da medicina alternativa estão alegando. Eles não tem o tempo e/ou interessa para entender do que se trata””

” A maioria das pessoas e médicos acham que homeopatia é fitoterapia. Quando eu explico o que realmente significa, eles se espantam “

” Eles querem ser chamados de médicos e usar tratamentos de ponta, mas não querem seguir as regras do jogo (ciência) “

O limite está no céu ?

Muito alarde foi feito após o incidente de Fukushima  em março de 2011, quando um terremoto atingiu o Japão. As ondas inundaram as bombas de emergência e como consequência houve fusão parcial de alguns reatores e liberação de gases radioativos para o meio externo. A preocupação era não somente o perigo aos Japoneses confinados em uma “minuscula ilha” superpopulada, mas também a todos os países vizinhos

Novembro de 2011, a Nasa lança um foguete com o “curiosity rover” com sucesso. Tanto o lançamento, quanto a aterrissagem são notíciados amplamente pela mídia. Incrivelmente, esqueceram de noticiar que este rover carregava 5Kg de PLUTONIO-238, utilizado para alimentar todas as funções elétricas que precisará no solo marciano. Segundo o professor “Dr. Arjun Makhijani” o plutonio-238 é 270 vezes mais radioativo que o plutonio-239, portanto a quantidade carregada no rover equivale a mais de uma tonelada do 239. Note que a bomba jogada em Nahasaki tinha apenas 6kg de 239, apesar de que explodir uma bomba nuclear ser diferente de jogar detritos nucleares pelo ar. Pode-se observar também que a meia vida do 238 é de 87,8, enquanto o 239 possui meia vida de 24,500 anos.

Uma breve exposição ao ar contaminado com essas particulas pode ser fatal, já que uma quantidade muito pequena já pode causar cancer de pulmão, por exemplo. Agora imagine as implicação se o foquete que levava o rover tivesse explodido em plena atmosfera terrestre. As minúsculas partículas radioativas ainda estariam pressas pela gravidade, e o debris seria espalhado por todo o globo. Afetando quase que a totalidade de seres “vivos” neste planeta, com consequências incalculáveis

 A ciência é apenas uma ferramenta para descobrir sobre o mundo natural. Quem diz os limites é a “ética da época”, o que meus filhos vão dizer sobre este risco que corremos ? Basta ver tantos absurdos cometidos no passado na área de medicina. No passado recente, brancos injetavam sífilis em negros saudáveis apenas para ver a progressão da doença (Tuskegee syphilis study). Ou o mais conhecido, em que médicos nazistas testavam drogas e procedimento em indivíduos saudáveis, os preferidos eram crianças saudáveis ( Josef Rudolf Mengele)

Os testes em humanos sem dúvida seriam mais confiáveis e rápidos, se comparados ao incrivel trabalho de extrapolar dados de outros organismos. Decidimos pelo caminho mais longo e mais ético, justamente porque as comissões de éticas começaram a ser obrigatórias para a grande maioria dos estudos médicos. Hoje em dia seria impensável fazer qualquer tipo de procedimento sem seguir “preceitos éticos”. Por fim, se formou uma cultura de empatia e consciência do significado de ética no campo médico

 Fazer um rover de 900kg funcionar com energia solar (entre outras) é muito mais complicado e difícil, do que enfiar Plutonio altamente perigoso na maquina. Agora quais são as implicações éticas de todo o processo?  Será que vale fazer ciência a qualquer custo ou a área da astrofísica está um bocado atrasada no uso da ética ? Será que os alunos de físicas tiveram aulas sobre o assunto na faculdade ou pelo menos leram algo relacionado ?

Escolhemos a ir para lua, não porque é fácil, mas justamente por ser difícil. (JFK)

http://www.youtube.com/watch?v=g25G1M4EXrQ

Imagem do rover de 360 graus
http://www.360pano.eu/show/?id=731

Diferentes percepções

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